esses patifes

“te empacotar com laço”
“te afogar no pedalinho”
“falar pra te doer –
te machucar um pouquinho”

“minha saudade não te basta
pra voce voltar pra mim”
a gente falava tanto disso
parecia importante.

a gente andou por uns picos estranhos
sempre pensando qual o motivo
de sermos empurrados praquelas furadas
comendo poeira em beira de estrada.

um: doidão faz um tempo,
larguei minha família
outro: usei tanta coisa pra aguentar esses dias
perdi um semestre, perdi a mobília –
por que ainda gosto de pensar nesses dias?

porque não sei se vai ter um melhor
não sei, não sei se dá pra ser melhor
também não sei se vai ter um pior
não sei, não sei se dá pra ser pior.

as rotas estavam estranhas
tomamos caminhos diferentes
salvaguardar esse mundo
pede mais que um cara carente

uma senhora chora em cima da cama
um rio já sem peixe
nem sei o motivo, mas ele continua
tecendo a tarrafa
espera sentado pra ser demolido.

amar em outro mundo, sem drama nenhum
era uma meta.

enrolar a cobra, descobrir a história
essa é nossa missão.

mas esses patifes e suas arminhas
me deixam tão confuso.

e tudo se dá ao mesmo tempo e agora
no meio do que deve ser nossa hora
tão foda o destino que é sempre tão triste
de onde tiraram que o céu é o limite?

e tudo se dá ao mesmo tempo e agora
não chora, senhora, penhora a vitória
tão besta de achar que vai conseguir
achar uma coisa que nem deve existir.

as rotas estavam estranhas
então dormimos o dia inteiro.
agora a casa não tem campaínha
muito menos um porteiro.

as rotas etavam bizarras
com tudo empilhado.
amar em outro mundo parecia acertado.

as rotas estavam estranhas
então dormimos o dia inteiro.
amar em outro mundo, sem drama derradeiro.

mas a menina morta em cima da cama
nunca soubemos bem o motivo
de entrarem atirando, aqueles patifes
tomaram o quintal, nós tamos perdidos.

*

pro lunaé

(arrastão de:
transamazônica, maio de 68, wilco, pearl jam, eucanãa ferraz)

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